Eu o vi sentado, lendo um jornal, fumando um cigarro, esperando um ônibus onde todos os trajetos levam para o distante.
Estava frio e eu pude notar a cor rosada do seu rosto, sua camisa xadrez e seu casaco pesado.
Em seu rosto eu via mais do que ele mostrava, vi solidão.
Suas botas acumulavam neve na parte superior, - havia um bom tempo que você esperava esse ônibus, pensei.
Seus olhos, de um azul vivo, percorriam as páginas do jornal como se lhe fosse útil. Sua boca, balbuciava as palavras de uma forma relaxada, como se tivesse todo o tempo do mundo.
Eu queria me aproximar, dizer um "oi, tudo bem?" não sei o que ele tinha, mas mexeu comigo. Senti uma estranha necessidade de preencher sua solidão.
Mas em mim ele nada notou, nas poucas vezes que tirou os olhos do jornal, não foi em minha direção.
Permaneci em meu silêncio, em minha própria solidão.
Em certos momentos, já sentimos aquela familiar sensação de dejavu, definitivamente era o que eu estava sentindo naquele momento.
Então me veio a mente "o que eu estou fazendo aqui?" até então não tinha percebido, mas não lembrava do motivo de estar esperando um ônibus.
"E por que o céu está limpo e ainda sinto a neve caindo sobre mim? E, meu Deus, qual o meu nome?"
Sem querer entrar em pânico, comecei a tentar buscar minhas lembranças, só flashes vieram.
Eu dirigindo. Conversando com alguém que amo mas não consigo ver o rosto, apenas sinto. Chuva forte. Luzes de farol. Uma batida.
Enfim o ônibus chega, ele se levanta, remove a neve presa em seu corpo, e com o mais belo sorriso diz: você não vem? Ele lembrou de mim.
E nesse momento fui inundado de lembranças, do acidente, dele, do meu nome. Nossos vazios esvaíram-se, nós tínhamos um ao outro, e eu soube que juntos iriamos para o distante, explorar nosso amor além da vida.
Essencial para quem chora, quem sorri, quem está alegre ou triste. Blog que demostra sentimentos. E lógico para quem também gosta da Anahí.
domingo, 12 de junho de 2016
A viagem ao distante
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