sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Você está bem?

"Você está bem?"
Me perguntaram pela noite,
Foi a quinta vez que minto só hoje.
Pergunta complicada
Quando fazem para você.
Mas o que devo fazer para a responder?

Falo sobre meu dia
E suas partes desgostosas
Ou do quanto me sinto perdido
Quando a noite é chuvosa?

Explico porque me sinto só
Quando tenho todos ao redor
Ou detalho os problemas sociais
Até minha cabeça dar um nó?

Devo me despir
E contar meus piores medos
Ou não responder nada
E seguir escondendo defeitos?

Não sei o que responderei
Quando amanhã,
Me perguntarem outra vez.
Mas hoje eu respondi:
"Sim, eu estou bem"
Porque é melhor do que ter que explicar
O que realmente sinto.
As pessoas não ligam,
Por isso eu respondo e minto.

Tanto a fazer

Tenho tanto a fazer,
Mas nada consigo realizar.
Não sei se começo com meus problemas reais
Os nos que eu costumo inventar.

Se cuido do exterior sofrido
Ou do interior defasado.
Não sei o que fazer
Com meu estado lamentável.

Vou adiar!
Amanhã penso nisso.
Os problemas que me esperem.
E quando abrir os olhos,
Adiarei por mais um dia,
Fugir dos problemas, eu tiro de letra
Enfrentá-los que é difícil
Já nem sei se consigo.
Sinto-me em queda livre
Caindo em um precipício.

Uma escrita melancólica

Nos meus versos tristes
Eu encontro consolo.
Nas minhas palavras amargas,
Minha alma sente renovo.

Falar do que é bonito
E coisa fácil de se fazer
O amor em si é lindo
Não preciso sequer dizer.

O melancólico é minha matéria prima
Nessa tela, eu pinto uma árvore morta
No amor seria uma macieira
Mas agora, está podre e torta.
Seus galhos eram robustos
E cheios do verde.
Eu os pinto negros e finos
Como as árvores góticas de um castelo
Retrato a morte do que um dia foi belo.

A dor é o momento de reflexão,
No amor tudo está bem
Não carece pensar em vão.
Aprender com os erros
É trabalho fadigado.
No amor você erra,
Não pensa no que dará errado.

Aprendi a viver sempre esperando o pior
É melhor do que se iludir em algo
Que pode não dar certo,
Polpa nos outros a cara de dó.

Continuarei escrevendo do sombrio
Da dor escondida,
Do nosso vazio.
Escrevendo sempre,
Até o fim da linha.
Quem sabe eu o preencho
Com os versos da poesia...

A consequência da paixão

O meu coração estava machucado
Tentando se recuperar
De todas as vezes que foi pisado.

Para ele eu criei
Uma proteção feita em aço
Para novamente não correr o risco
De vê-lo despedaçado.

Você chegou,
Ele ele já acelerou o passo.
Eu disse: Não seja bobo, não crie estardalhaço. A paixão é ilusão, não me faça de palhaço.

Mas o coração não obedeceu,
Quando dei por mim, já estava em suas mãos.
Você me beijando, 
A culpa é da paixão.

Aos poucos você me ganhou.
Criou passagem para meu coração
Acendendo uma luz na escuridão.

Mas o meu receio é o mesmo,
De você ter encontrado o que não quis.
E me deixe, como os outros,
E me fira, como todos.
E mais uma vez eu precise me proteger do amor.
O sentimento mais lindo,
Mas em mim, só causa dor.

Pesadelo

Hoje eu tive um pesadelo.
Daqueles que custa a acordar
Do tipo que te bate até você não aguentar
Que você sabe que é sonho
E ao mesmo tempo, deixa de acreditar.

Eu tive um pesadelo.
Sonhei com um passado que me traz dor
Aquelas feridas que não curam
Que foram causadas pelo amor.
E a dor é profunda
Por isso, o tamanho do meu pesar
Esse pesadelo foi o meu inconsciente
Me informando que não deixei de amar.

Acordei com a angustia
Desse sono carregado
De uma história que podia ser para sempre
Mas agora é do passado.

O futuro está por vir
Ele é inesperado.
Mas o receio está em mim:
O medo de fazer, de novo, tudo errado.

sábado, 13 de agosto de 2016

Humanos engaiolados

Na rua ninguém se olha
Vivem numa corrida para não perder a hora
A hora de que? Me perguntei.
Muitos responderam, mas sentido não encontrei.

Meu sorriso virou uma ameaça
"Ninguém sorri de manhã, não seja palhaça"
Creio que vivemos numa farsa
Fingimos ter e ser,
mas é mentira tudo aquilo que a câmera capta.
A vida é bela, mas o humano é feito de máscaras.

A pergunta em mim ainda lampeja,
A gente luta tanto, mas qual é a peleja?

"Procuro a felicidade"
Disse o homem que não tem liberdade
Somos humanos engaiolados
Com destinos tristes e fadados
Fadados ao que me perguntas,
A infelicidade!
Viver neste mundo
Sem usá-lo de verdade.

Uma festa dentro de mim

As palavras são meus remédios, sempre foram, e agora eu me sinto doente, novamente preciso delas para me curar.
Estou escrevendo para tirar o peso que sinto em meu coração, essa angústia que me acompanha já virou da família, existe sempre um lugar a mesa para ela se alimentar dos poucos momentos felizes que tenho. Quanto mais satisfeita ela está, mais ela cresce em mim.
A angustia não anda só, ela tem amigos. Sempre aparece acompanhada da tristeza, o desespero também vem e juntam uma multidão para fazer uma festa dentro de mim.
Os médicos nomearam essa festa de "depressão" e acreditam que eu não estou só, existe milhões de pessoas com essa heavy dentro de si. Não é tão consolador, só eu entendo o que sinto.
Mas encontrei uma terapia, como disse, eu tenho remédios e nesse momento eu já sinto que a música da festa em mim está baixando, escuto os gritos de desaprovação dos convidados, a angustia, anfitriã, está envergonhada tentando acalmar a multidão.
Aos poucos eles estão indo embora, "a festa acabou" eu digo.
Mas eu sei que outras festas irão surgir e terei que me refugiar novamente.

Nova história

Fica cada vez mais difícil acreditar no amor quando você se decepciona, mas quem disse que irei desistir?!

Hoje, inicia-se uma nova história. Se dará certo, eu não sei.

Talvez dessa vez é para sempre... Ou durará uma semana. Pode ser que eu tenha encontrado, ou será que me perdi?
Estou beijando um príncipe, estou beijando um sapo. Espetei meu dedo em uma roca e agora espero que alguém me acorde desse pesadelo em que vivo.

Hoje, inicia-se uma nova história. Se dará certo, eu não sei.

Estou em uma floresta indo para a casa da minha avó, mas nesse momento não sei se encontrarei com mais um lobo ou se serei salvo pelo caçador.

Hoje, inicia-se uma nova história. Se dará certo, eu não sei.

Da última vez em que me apaixonei, entrei na toca do coelho. Vi criaturas mágicas e um mundo incrivelmente diferente, mas com um adeus o encanto se desfez, me vi sendo expulso pela rainha vermelha e condenado a viver sozinho.

Hoje, inicia-se uma nova história. Se dará certo eu não sei, mas pretendo me aventurar nesse mar incerto que é o amor.

Um presente

A vida é um grande presente com um péssimo embrulho, quando você consegue tirar esse horrendo papel de presente, é possível ver a beleza do conteúdo.